sábado, 18 de agosto de 2012

Extravasar


Sabe aquele momento que você só quer lutar, correr, dançar, gritar, sei lá,
Mas você entende né? Aquele momento que você precisa extravasar,
O céu da noite despencou sobre você,
Teus pensamentos ruins vieram todos em uma enxurrada,
Uma avalanche de memórias conturbadas e perturbadoras que você não se recordava ter,
Bem, tudo isso repentinamente passou a te assombrar,
Quando a última gota pingou, e o copo não agüentou e rachou,
Toda aquela represa que acalmava e te livrava de maus momentos acabou de ceder,
Os destroços foram carregados e separados,
O que impossibilita tua restauração,
E no meio de todo esse lamaçal de maus tempos, de péssimos momentos,
Eu te vejo me fazendo sofrer, talvez sem saber,
Mas essa hipótese dessa vez não vai te salvar,
Não tem como mais nada eu represar,
Então só me restou a opção de limpar toda essa podridão,
Ah, e a propósito, sinto dizer que ela vai sair,
Mas dessa vez também sai você,
Só para me certificar que você não vai mais me irritar

Gabriel Nogueira


Amantes eternos


Na minha cama estamos deitados,
Abraçados, quase desacordados,
Sob um feixe de luz,
Que entra pela janela,
E aquece nossos corpos,
Reflete em nossa pele,
Ilumina seu olhar,
Purifica esse ambiente,
E revive dois amantes que a muito não se encontravam,
Desperta dois amigos que a muito não se amavam,
E eterniza o momento que acaba de acontecer,
Simboliza o futuro entre eu e você,
Um futuro que está reservado a apenas amigos que alcançam o mesmo nível transcendental,
Um nível que torna nossa amizade imortal.

Gabriel Nogueira

Teu nome



Qual teu nome?
Eu não sei dizer,
Só sei dizer que me apaixonei pela moça que acaba de passar,
Tua pele branca brilha com o sol, e reflete ao luar.
Por favor madame aceite o amor desse jovem infame,
Quando você passou por mim, me encantou com tua beleza,
Me deixou a delirar,
E mesmo que você nunca me ame,
Mesmo sem saber teu nome,
Eu venho por meio desta carta me declarar,
E se você vier indagar como posso amar uma pessoa cujo o nome eu nem sei pronunciar,
Aproveitarei a chance para te falar,
Pois uma rosa vai continuar com teu perfume e beleza mesmo se eu a chamar crisântemo, margarida, ou lírio,
Assim, eu não me importo se teu nome é Ana, Maria, Beatriz, Carla, Amanda, Joana,
Isso não me importa e nunca me importou,
O que me importa é dizer que você é meu amor,
E se um dia você me achar digno de seu nome pronunciar, você vai me dizer,
Mas por hora minha dama sem nome, só posso dizer que eu amo você.

Gabriel Nogueira

Reencontros


Reencontros, lembranças recordadas,
Memórias reveladas,
E agora contextualizadas,
Ações sofridas de um passado,
Agora escancarado,
E ainda dizem que você é culpado,
Mas isso a gente deixa de lado,
Agora eu to chocado, to focado,
Em como você mudou,
Vejo a marca dos anos rebeldes que passou,
E fico pensando em como o tempo correu,
Em como a gente cresceu,
E o quanto você amadureceu,
Talvez se eu tivesse acompanhado seu desenvolvimento,
Nem perceberia o quão diferente está,
A final estaria acostumado a ver você mudar,
Se bem que eu  já esperava isso de você,
Aquela garotinha tímida, quietinha, e centrada,
Eu já sabia que ia dar aquela mudada,
Já esperava que fosse virar uma ouvinte, uma confidente,
Aquela pessoa que deixa as outras contentes,
E minha suspeita se confirmou no momento em que você me parou,
Na hora em que você me abraçou,
E me apresentou como um amigo que parecia jamais ter se afastado,
Eu fiquei meio surpreso e meio assustado,
Mas adorei ter te reencontrado.

Gabriel Nogueira

Choros trocados




Enquanto você chora pela confiança perdida,
Enquanto você se isola por uma bobagem a toa,
Eu olho e choro,
Choro por te ver sofrer sozinha,
Choro porque até cinco minutos atrás eu podia te ajudar,
Eu choro para te acompanhar,
Eu te imploro para relaxar,
Erros, todos cometem,
Ninguém está isento desse mal,
Mas cabe a você superá-los,
E não precisa ser sozinha,
Eu sou teu amigo, se você pedir eu vou te dar minha opinião,
Mas mesmo que nossas opiniões sejam diferentes,
Eu vou te apoiar, te estender a mão,
Vou te ajudar a achar uma solução.

Gabriel Nogueira

Anjo cruel


A tese do anjo cruel será jogada pela janela,
Quando a sua humanidade você abraçar,
Esse anjo maldito vai perder as asas pelas suas mãos,
A final você é o único que pode as arrancar,
Quando aos seus sentimentos você se entregar.
Eles podem não ver,
Mas uma lenda você vai virar,
Como um diamante bruto que só precisa ser polido para a todos encantar,
Ou como uma safira que com seu brilho inconstante é capaz de hipnotizar.
O anjo negro vai cair quando você for capaz de se libertar e sorrir,
E o destino,
Desconhecido por esses olhos,
E essas asas em suas costas que ninguém é capaz de ver,
Guiarão você para um futuro que desconhece,
Melhor do que essa repressão e incerteza que você não merece,
Concentrado no desejo o anjo cruel irá cair,
Nesse momento você deverá seguir seu caminho,
Ir sem olhar para trás,
E você não poderá mais voltar,
Não se seus sonhos quiser realizar.

Gabriel Nogueira

A morte do pensamento



Enquanto espero, reflito, e nessa reflexão,
Chego a conclusão que os sábios não existem mais,
Sabe, aquela pessoa que se preocupa e gosta de pensar,
Aquela pessoa que não segue a multidão,
Aquele novilho que não segue o rebanho em direção ao abatedouro,
Sabe aquelas pessoas que nos inspiram com suas idéias,
Que se importam com a condição humana,
Tudo isso acabou,
As pessoas se importam apenas em ganhar, em subir, em lucrar,
Hoje a ignorância é produto de consumo e lucro,
As pessoas foram acostumadas, educadas, e treinadas,
A aplaudir e admirar qualquer bossal que faz uma piada sem graça,
Qualquer imbecil que os contenta com migalhas,
A velha política do pão e circo funciona agora mais do que nunca,
Temos palhaços no poder,
E uns farelos para a população,
Temos pouca educação,
Mas todo mundo bate palma e nem liga,
A final se preocupar para que, existe cheque cidadão,
Bolsa família, auxilio moradia e muita “diversão”,
Temos uma TV que glorifica os ignorantes,
Que emburrece cada cidadão,
E nos domestica a aceitar nossa situação,
E com isso percebo que os pensadores morreram,
E eu nem se quer pude ir ao enterro.

Gabriel Nogueira

A escrita do destino




A pintura de uma cena.
O retrato de uma alma,
O texto da vida,
O roteiro para a morte,
Tudo retratado e arquivado,
No estúdio e mausoléu,
De um artista semimorto,
Um ser sensível que esta na tênue linha dos dois mundos,
Um shaman depressivo que conta sua vida e experimentações,
Seus desejos, suas confissões,
Gravado em quadros e papéis,
Nas paredes, no teto, no corpo, e na alma,
Tudo aqui caso alguém queira ver, (menos você)
E mesmo que essas obras sejam destruídas agora que estou prestes a morrer,
Eu tenho a convicção que elas sempre se manterão em você que pôde as ver,
E você um dia vai lembrar o quão humano é esse seu amigo que acaba de se deixar apagar,
Ou acordar, de um pesadelo onde meus sentimentos tinha que acorrentar.

Gabriel Nogueira