domingo, 13 de maio de 2012

Como areia a despencar



Desistir? Não, não devo parar,
mas ainda tem um ciclo da minha vida que eu tenho que fechar,
se o que acabei de começar não vingar, não durar,
onde eu poderei me apoiar,
já não tenho mais 17 anos para poder esperar,
e não é mais dever dos meus pais me sustentar.
Tenho que trabalhar,
tenho contas para pagar,
não tenho dinheiro para gastar.
Tenho que acordar,
mas todos ao meu redor falam que eu ainda tenho que perseverar,
que ainda não posso desistir,
pois daqui, dá para ver meu sonho aí,
da até para segurar,
mesmo que como areia ele esteja a esfarelar,
mas eu vou segurar e não soltar até que tenha visto o último grão cair,
e mesmo assim vou tentar juntar,
não pretendo desistir até ver que tentei de todas as formas e não consegui.

Gabriel Nogueira

Doce chuva


Chuva violenta,
que vem no meio da noite para lavar meus sentimentos,
para apagar meus rastros,
me escondendo na escuridão,
protegendo minha paixão,
que só agora lembrei que está aqui,
e não pode te sentir,
acompanhada de sua metade que está a rir, ou a chorar,
na verdade eu não sei descrever,
porque toda vez que a olho,
ela está coberta por você,
que está me fazendo o favor de a esconder,
tudo para a proteger.
Mesmo que teu toque molhado a fizesse estremecer,
mas por algum motivo eu não parei para te agradecer,
me escondi de você,
mas você persistente me mostrou que pararia somente quando eu fosse pagar,
então saí a teu encontro,
mas você me surpreendeu,
sua raiva gelada me encolheu,
mas mesmo assim eu tinha que continuar,
tinha uma dívida a quitar,
e aguentar a fúria por ter fugido de você,
mas agora que cheguei em meu lar,
você está a se acalmar,
e eu a pensar que graças a você consegui deixar minha paixão no devido lugar.

Gabriel Nogueira


domingo, 6 de maio de 2012

A última reflexão



Em uma noite escura,
caminho sozinho,
mudo meu caminho,
hoje eu vou deixar a escuridão me guiar para o meu verdadeiro lar,
no meio do percurso sou surpreendido,
figuras noturnas me cercam,
dilaceram meu corpo e alma,
a deixam esfolada, cortada, rasgada,
abandonada no rio,
imersa nas suas tristezas, preocupações, frustrações,
banhado no rio de suas lágrimas,
derramadas durante sua vida de arrependimentos por atos não feitos,
palavras não ditas, por amizades perdidas.
Mas hoje isto acabou,
a final meu corpo caiu, minha alma sumiu,
e eu estou aqui apenas a observar,
toda minha vida a passar,
enquanto estou neste lugar sem ninguém para me comunicar,
vendo meus pecados de longe,
vendo minha morte de um ponto distante,
sinto algo inconstante, um medo, um pavor,
mas agora tudo melhorou.
uma aura aconchegante me abraça.
e eu percebo que esta noite a morte não é minha aliada.

Gabriel Nogueira

Minha criança



Oi criança,
não sei como,
mas você me cativou
com um sorriso que nunca acaba,
com uma alma iluminada,
com as respostas das minhas perguntas já preparada,
era eu fazer e você responder,
meio que por instinto, meio que sem saber.
 
Sem entender o por que com tanta facilidade você me tocou,
o por que não consigo te esquecer,
o por que com um presente tão simples você me fez saber que jamais iria te esquecer,
você poderia ter me dado um pião para me mostrar que o mundo não para de girar,
ou até um relógio vagabundo,
só para eu me tocar que meu tempo eu sou capaz de controlar,
mas não, ao invés disso me deu uma carta,
com as suas mais sinceras palavras.

Só isso já me bastou, só isso já me tocou,
e me provou que eu sei quem é você,
e que eu jamais vou, ou posso te esquecer,
mas já chegou a hora de nos despedir,
mas eu ainda quero você aqui,
e até para isso você achou solução,
seu corpo foi, mas você me deixou teu coração, seu espírito, sua emoção,
que sempre vai estar ao meu lado, a me ajudar,
assim como a minha criança que eu jamais posso deixar.

Gabriel Nogueira