quinta-feira, 14 de junho de 2012

Dionisíaca da salvação


Um corpo purificado,
invadido pela arte profana do teatro,
estasiado, se revela ativo mesmo estando parado,
este corpo que foi oferecido como sacrifício a arte do pecado,
encontra-se com seu dono e possuidor,
que nele abitava, mas que por pudor não o reclamava,
não o assumia, apenas via seus impulsos e tentava controlá-los,
mas agora que o controle foi assumido,
e esse corpo entendido,
as coisas ficaram mais fáceis,
um pouco mais palpáveis,
como o meu domínio eu já o conheço,
o outro para mim não é nada avesso,
agora é mais fácil de tocar, sentir, cheirar,
e ao final da dionisíaca acabar como duas máscaras,
não opostas, mas complementares, a se beijar.

Gabriel Nogueira


Crianças a brincar


O vento vai,
o vento vem,
e junto dele vão,
e também voltam as lembranças de nossos encontros,
aquele tempo que passamos juntos conversando,
resolvendo nossos problemas,
jogando papo fora,
contando nossas histórias,
a final temos bastante tempo,
temos todo tempo do mundo,
nessa sala lotada,
onde só nossa voz é escutada,
e no momento que nossa conversa é parada,
para uma nova com os outros ser iniciada,
percebo que sua história poderá ser bem aproveitada,
e no momento da junção será a maior diversão,
como crianças a brincar com super poderes que só elas podem ter,
mas tem um que todas vão querer,
que é o de o tempo parar,
e uma grita daqui, outra acolá,
mas com quem será que esse poder vai ficar?
se quer saber, esse poder pertence a todo ser.

Gabriel Nogueira