quinta-feira, 14 de junho de 2012

Dionisíaca da salvação


Um corpo purificado,
invadido pela arte profana do teatro,
estasiado, se revela ativo mesmo estando parado,
este corpo que foi oferecido como sacrifício a arte do pecado,
encontra-se com seu dono e possuidor,
que nele abitava, mas que por pudor não o reclamava,
não o assumia, apenas via seus impulsos e tentava controlá-los,
mas agora que o controle foi assumido,
e esse corpo entendido,
as coisas ficaram mais fáceis,
um pouco mais palpáveis,
como o meu domínio eu já o conheço,
o outro para mim não é nada avesso,
agora é mais fácil de tocar, sentir, cheirar,
e ao final da dionisíaca acabar como duas máscaras,
não opostas, mas complementares, a se beijar.

Gabriel Nogueira


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