domingo, 1 de julho de 2012

Um amor milenar



Tentando se controlar,
você começa a me beijar,
mas sem minha boca tocar,
começa a me abraçar, a me agarrar,
e eu por respeito a sua indecisão permaneço no lugar,
abraçado a você,
deitado em minha cama.
E mesmo que estivéssemos devidamente vestidos,
e em outro lugar,
apenas juntos,
mesmo sem poder falar,
eu acho que ainda sim sentiríamos essa sensação de nos amar.
Mas não um amor carnal,
não um amor animal.
É como um sexo de anjos,
dois seres em algo espiritual,
experimentando um prazer transcendental.
Em uma posição em que não da para definir quem é que está ali,
só se percebe ao olhar míseros espaços a nos separar,
duas pessoas dormindo,
nus, e a se abraçar,
com um leve sorriso em seus rostos,
que esta ali só para mostrar a pureza de duas pessoas que estão amando,
a unidade formada por seres se completando,
que é interrompida por berros e repressões,
vindos de um bando de bufões,
que só sabem ver pecado em todo lugar.
Delirantes.
Achando que um crime acabou de ocorrer,
gritam dizendo que eu violei você,
mas não percebem que eles é que estão cometendo uma violação,
são ingênuos e merecem o meu perdão,
eles não entendem que o que acabaram de ver,
foi apenas o amor entre eu e você.
Esse amor que não é algo impuro, ou animal,
é amor de mãe, que ama o filho antes de o ver,
é amor de pai, que sempre quer proteger,
é amor de irmão, que está sempre com você,
é amor de amigo, que vai sempre escutar,
é amor de anjo, que ama sem pecar,
é um amor celestial, que não faz outra coisa sem ser amar.


Gabriel Nogueira

O Aviso



Tiraram você de mim,
não posso acreditar,
que sem motivo começaram a arrancar,
arrancar as flores e árvores que rodeavam a fonte que eu apenas comecei a tomar,
não acredito que tiraram você de mim,
que te tiraram assim,
sem me avisar, sem me preparar,
vocês arrancaram a árvore que eu estava a observar,
admirado com tudo que ela pode passar,
com tudo que ela poderia me ensinar,
e quando vocês a arrancaram, deixaram uma ferida,
tanto em mim que só queria estar lá,
para olhar, aprender, admirar,
mas também deixaram uma em você,
agora que essa árvore saiu,
tudo o que ela sustentava caiu,
toda a merda que estava escondida,
agora dá para ver,
e sem exagero, ela é de me fazer estremecer,
mas o que mais me impressiona é que vocês não foram tolos para chegar e apenas uma arrancar,
vocês foram burros de todo um grupo delas tirar de vez,
você quis acabar com tudo de uma vez,
mas agora é bom se preparar,
porque não sou só eu,
todos que estavam lá,
e presenciaram esse ato pavoroso,
nós vamos falar,
tomar posse da nossa palavra e nos enraizar,
nos firmar nesse solo,
mas não para novas árvores colocar,
e sim trazer de volta as que vocês acabaram de arrancar,
e que mesmo arrancadas ainda vão falar,
e é bom se preparar porque nós vamos colocá-las  no lugar,
e pretendemos que dessa vez seja em uma base mais sólida que empeça que isso volte a acontecer,
isso eu garanto a você.

Gabriel Nogueira