Tentando se controlar,
você começa a me beijar,
mas sem minha boca tocar,
começa a me abraçar, a me agarrar,
e eu por respeito a sua indecisão permaneço no lugar,
abraçado a você,
deitado em minha cama.
E mesmo que estivéssemos devidamente vestidos,
e em outro lugar,
apenas juntos,
mesmo sem poder falar,
eu acho que ainda sim sentiríamos essa sensação de nos amar.
Mas não um amor carnal,
não um amor animal.
É como um sexo de anjos,
dois seres em algo espiritual,
experimentando um prazer transcendental.
Em uma posição em que não da para definir quem é que está ali,
só se percebe ao olhar míseros espaços a nos separar,
duas pessoas dormindo,
nus, e a se abraçar,
com um leve sorriso em seus rostos,
que esta ali só para mostrar a pureza de duas pessoas que estão amando,
a unidade formada por seres se completando,
que é interrompida por berros e repressões,
vindos de um bando de bufões,
que só sabem ver pecado em todo lugar.
Delirantes.
Achando que um crime acabou de ocorrer,
gritam dizendo que eu violei você,
mas não percebem que eles é que estão cometendo uma violação,
são ingênuos e merecem o meu perdão,
eles não entendem que o que acabaram de ver,
foi apenas o amor entre eu e você.
Esse amor que não é algo impuro, ou animal,
é amor de mãe, que ama o filho antes de o ver,
é amor de pai, que sempre quer proteger,
é amor de irmão, que está sempre com você,
é amor de amigo, que vai sempre escutar,
é amor de anjo, que ama sem pecar,
é um amor celestial, que não faz outra coisa sem ser amar.
Gabriel Nogueira


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