terça-feira, 13 de março de 2012

A depressão da alma



Uma pessoa com tudo,
porém que parece não ter nada,
numa solidão,
num isolamento lotado de pessoas,
pessoas que estão sempre ali,
mas suas presenças não dá para sentir,
elas não conseguem o atingir,
não conseguem chegar,
não o suficiente para o abalar,
para provocar uma sensação,
que consiga tirá-lo dessa solidão,
que o deixa sem base, sem chão,
trancado em seu porão,
na masmorra de sua mente,
na máquina de tortura do seu subconsciente,
com sua alma flagelada, torturada,
ensanguentada pelas feridas não cicatrizadas,
acorrentada por memórias passadas,
incapacitada por uma cabeça lotada,
e também desesperada,
por uma coisa que a tempos sumiu,
e jamais ressurgiu.

Gabriel Nogueira

Conversas


As coisas mudam,
as pessoas mudam,
as palavras mudam,
eu mudo, eu mudei,
me calei,
aprendi a somente escutar,
me guardar,
minha opinião silenciar,
tem coisas que não são necessárias falar,
a não ser que esteja disposto a se irritar,
a final tem conversas que é melhor nem começar,
tem algumas que seria melhor apagar, deletar,
conversas que ficam a me atormentar,
aquelas coisas que eu disse, que o sentido parece me escapar,
ou então conversas que eu lamentei não começar,
aquelas conversas que poderiam ter saído só do olhar,
aquelas conversas que poderiam te encantar.

Gabriel Nogueira

Difícil caminhada


Pedras no meu caminho,
dificuldades e improbabilidades invadem meu espaço,
obstáculos me são impostos,
e nada que recompense meus esforços.
Nada para me animar,
apenas para me atrapalhar,
coisas que darão motivos para falar,
para que os outros possam me julgar,
e falar que seguir essa profissão não dá.
O que fazer eu não sei,
qual solução arranjar,
que jeito eu poderei dar,
para poder continuar a caminhar,
neste caminho tão difícil que resolvi trilhar.

Gabriel Nogueira

domingo, 4 de março de 2012

Falso poeta



Um poeta que nunca amou,
isso é uma desgraça,
até mesmo uma ameaça,
uma ameaça para ele que adora inventar...
amores. Pessoas por quem ele possa se apaixonar,
mas sem o risco de as conquistar,
só para nunca parar de amar, de sofrer,
de escrever roteiros de paixões mirabolantes,
que o fazem enlouquecer.
Tudo para experimentar
a dor que é amar,
o prazer que é gostar,
a loucura por não ter
quem você gosta com você.
Mas como sofrer sem sentir dor?
como odiar sem ter rancor?
como amar sem ter amor?
como escrever e expressar
uma coisa que nunca conseguiu provar?
então é melhor exagerar, inventar,
para quem sabe um dia, verdadeiramente amar.

Gabriel Nogueira

Dama da noite


Seus olhos negros,
refletindo a luz do luar,
torno-me incapaz de me controlar,
essa sua pele macia querendo tocar,
beijos querendo lhe roubar.

Oh minha dama,
não sabe como é difícil
estar ao seu lado e me segurar,
resistir ao encanto dos teus olhos negros a me hipnotizar,
tua voz de sereia a me encantar.
Não sabe como é difícil estar ao seu lado,
e ao mesmo tempo me afastar,
me controlar para não deixar escapar,
nenhuma palavra que vá me denunciar,
e dizer o quão apaixonado eu posso estar.

Gabriel Nogueira

Boêmio acorrentado


Após tanto tempo volto a sonhar,
sentir, amar, me expressar,
voltar a escrever,
pensando em você,
imaginando como é ter,
meu amor, que é você,
ao meu lado a me acompanhar,
nos devaneios de alguém que está a amar,
nas súplicas de um poeta apaixonado,
nas loucuras do amor,
na tristeza e na dor
de uma pessoa que se fechou,
e não consegue mais se abrir,
um poeta incapaz de sentir,
ou de apenas exteriorizar,
o sentimento que nele está a transbordar,
um boêmio incapaz de sorrir,
acorrentado em si
sem liberdade,
apenas com a humildade para escrever,
seus mais nobres sentimentos por você.

Gabriel Nogueira

Versos de um viajante


Sentado viajando,
olhando pela janela,
parece que estou sonhando.
Será que é com ela?
Um sonho calmo e monótono,
que me da tempo de pensar,
na vida, na morte,
como vou me comportar,
se devo pensar ou cogitar,
a simples hipótese de parar de tentar,
do jogo acabar,
pois esta brincadeira,
já está a me cansar.

Gabriel Nogueira

Bipolar

Uma hora sou o que sou,
outra hora não sei quem sou,
as vezes as pessoas me compreendem,
em outras elas me temem.

Incompreendido? Talvez
Incontrolável? Eu sei
Incabível? Improvável
Incontrolável? Aceitável

Mas cansei de falar de mim,
e agora quero saber,
qual a loucura que pertence a você?

Gabriel Nogueira

sábado, 3 de março de 2012

Imagens do além


Ilusões tomam meus olhos,
os fecho, e quando abro,
que surpresa,
sua imagem me aparece,
estática a minha frente,
tão bela,
tão resplandecente,
com um sorriso acendente,
que ilumina meus pensamentos,
um sorriso gentil, meigo,
e agradável,
que te torna inimaginável.
Como um anjo a brilhar,
quando do meu sono acordar

Gabriel Nogueira