quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Olhos


Eu olho em seus olhos e vejo tua alma,
Eu olho em teus olhos e vejo a minha alma,
Eu olho para você e meu vejo em tua cama,
Você me olha, e teus olhos dizem que me ama.

Em seu amor estarei vivo, estarei atento para o que queres me mostrar...
Porque em teus olhos te vejo. Me vejo.
Os meus olhos se encontram nos seus,
Cobiçam tua beleza e te desejam próxima a mim.
Me fazem querer mudar, e aceitar que a partir de agora serei parte de você,
E você de mim.

Dependo dos teus olhos para encontrar minha alma,
que agora habita em teu corpo.
E tua beleza que se fixou em minha mente,
Me seduziu de repente,
Me fez duvidar da sanidade de amar.
Agora vejo essa sanidade escorrendo feliz de teus olhos,
Esses olhos que clamam atenção,
Esses olhos que têm o poder de encantar,
De seduzir, de aumentar,
Aumentar teu tamanho em minha mente,
Aumentar esse sentimento latente.
Sentimento esse que escorre sobre mim,
Que corrói minha mente,
Que toma conta do meu corpo,
Que te faz se enxergar em mim,
Que te faz se entregar para mim,
Deitar em mim... Me fazer seu!

Me fazer sua!
E isso esta refletido nos olhos da lua,
A lua do céu, a lua de seus olhos,
Essas duas luas que me olham ao olhar para você,
Essas duas luas que nos fazem florescer,
Como a mais bela flor da noite, que encanta a quem vê,
Como o mais sublime beijo, que emociona de chorar,
Como o mais bonito amor, que encanta quem olhar.

Que me faz perceber que tudo que sinto, esta aí...
Dentro de você.
Sentimos na pele o significado do desejo,
Que está guardado na luz dos seus olhos, flutuando no nosso beijo.

Gabriel Nogueira e Karoll Rodrigues 


sábado, 18 de agosto de 2012

Extravasar


Sabe aquele momento que você só quer lutar, correr, dançar, gritar, sei lá,
Mas você entende né? Aquele momento que você precisa extravasar,
O céu da noite despencou sobre você,
Teus pensamentos ruins vieram todos em uma enxurrada,
Uma avalanche de memórias conturbadas e perturbadoras que você não se recordava ter,
Bem, tudo isso repentinamente passou a te assombrar,
Quando a última gota pingou, e o copo não agüentou e rachou,
Toda aquela represa que acalmava e te livrava de maus momentos acabou de ceder,
Os destroços foram carregados e separados,
O que impossibilita tua restauração,
E no meio de todo esse lamaçal de maus tempos, de péssimos momentos,
Eu te vejo me fazendo sofrer, talvez sem saber,
Mas essa hipótese dessa vez não vai te salvar,
Não tem como mais nada eu represar,
Então só me restou a opção de limpar toda essa podridão,
Ah, e a propósito, sinto dizer que ela vai sair,
Mas dessa vez também sai você,
Só para me certificar que você não vai mais me irritar

Gabriel Nogueira


Amantes eternos


Na minha cama estamos deitados,
Abraçados, quase desacordados,
Sob um feixe de luz,
Que entra pela janela,
E aquece nossos corpos,
Reflete em nossa pele,
Ilumina seu olhar,
Purifica esse ambiente,
E revive dois amantes que a muito não se encontravam,
Desperta dois amigos que a muito não se amavam,
E eterniza o momento que acaba de acontecer,
Simboliza o futuro entre eu e você,
Um futuro que está reservado a apenas amigos que alcançam o mesmo nível transcendental,
Um nível que torna nossa amizade imortal.

Gabriel Nogueira

Teu nome



Qual teu nome?
Eu não sei dizer,
Só sei dizer que me apaixonei pela moça que acaba de passar,
Tua pele branca brilha com o sol, e reflete ao luar.
Por favor madame aceite o amor desse jovem infame,
Quando você passou por mim, me encantou com tua beleza,
Me deixou a delirar,
E mesmo que você nunca me ame,
Mesmo sem saber teu nome,
Eu venho por meio desta carta me declarar,
E se você vier indagar como posso amar uma pessoa cujo o nome eu nem sei pronunciar,
Aproveitarei a chance para te falar,
Pois uma rosa vai continuar com teu perfume e beleza mesmo se eu a chamar crisântemo, margarida, ou lírio,
Assim, eu não me importo se teu nome é Ana, Maria, Beatriz, Carla, Amanda, Joana,
Isso não me importa e nunca me importou,
O que me importa é dizer que você é meu amor,
E se um dia você me achar digno de seu nome pronunciar, você vai me dizer,
Mas por hora minha dama sem nome, só posso dizer que eu amo você.

Gabriel Nogueira

Reencontros


Reencontros, lembranças recordadas,
Memórias reveladas,
E agora contextualizadas,
Ações sofridas de um passado,
Agora escancarado,
E ainda dizem que você é culpado,
Mas isso a gente deixa de lado,
Agora eu to chocado, to focado,
Em como você mudou,
Vejo a marca dos anos rebeldes que passou,
E fico pensando em como o tempo correu,
Em como a gente cresceu,
E o quanto você amadureceu,
Talvez se eu tivesse acompanhado seu desenvolvimento,
Nem perceberia o quão diferente está,
A final estaria acostumado a ver você mudar,
Se bem que eu  já esperava isso de você,
Aquela garotinha tímida, quietinha, e centrada,
Eu já sabia que ia dar aquela mudada,
Já esperava que fosse virar uma ouvinte, uma confidente,
Aquela pessoa que deixa as outras contentes,
E minha suspeita se confirmou no momento em que você me parou,
Na hora em que você me abraçou,
E me apresentou como um amigo que parecia jamais ter se afastado,
Eu fiquei meio surpreso e meio assustado,
Mas adorei ter te reencontrado.

Gabriel Nogueira

Choros trocados




Enquanto você chora pela confiança perdida,
Enquanto você se isola por uma bobagem a toa,
Eu olho e choro,
Choro por te ver sofrer sozinha,
Choro porque até cinco minutos atrás eu podia te ajudar,
Eu choro para te acompanhar,
Eu te imploro para relaxar,
Erros, todos cometem,
Ninguém está isento desse mal,
Mas cabe a você superá-los,
E não precisa ser sozinha,
Eu sou teu amigo, se você pedir eu vou te dar minha opinião,
Mas mesmo que nossas opiniões sejam diferentes,
Eu vou te apoiar, te estender a mão,
Vou te ajudar a achar uma solução.

Gabriel Nogueira

Anjo cruel


A tese do anjo cruel será jogada pela janela,
Quando a sua humanidade você abraçar,
Esse anjo maldito vai perder as asas pelas suas mãos,
A final você é o único que pode as arrancar,
Quando aos seus sentimentos você se entregar.
Eles podem não ver,
Mas uma lenda você vai virar,
Como um diamante bruto que só precisa ser polido para a todos encantar,
Ou como uma safira que com seu brilho inconstante é capaz de hipnotizar.
O anjo negro vai cair quando você for capaz de se libertar e sorrir,
E o destino,
Desconhecido por esses olhos,
E essas asas em suas costas que ninguém é capaz de ver,
Guiarão você para um futuro que desconhece,
Melhor do que essa repressão e incerteza que você não merece,
Concentrado no desejo o anjo cruel irá cair,
Nesse momento você deverá seguir seu caminho,
Ir sem olhar para trás,
E você não poderá mais voltar,
Não se seus sonhos quiser realizar.

Gabriel Nogueira

A morte do pensamento



Enquanto espero, reflito, e nessa reflexão,
Chego a conclusão que os sábios não existem mais,
Sabe, aquela pessoa que se preocupa e gosta de pensar,
Aquela pessoa que não segue a multidão,
Aquele novilho que não segue o rebanho em direção ao abatedouro,
Sabe aquelas pessoas que nos inspiram com suas idéias,
Que se importam com a condição humana,
Tudo isso acabou,
As pessoas se importam apenas em ganhar, em subir, em lucrar,
Hoje a ignorância é produto de consumo e lucro,
As pessoas foram acostumadas, educadas, e treinadas,
A aplaudir e admirar qualquer bossal que faz uma piada sem graça,
Qualquer imbecil que os contenta com migalhas,
A velha política do pão e circo funciona agora mais do que nunca,
Temos palhaços no poder,
E uns farelos para a população,
Temos pouca educação,
Mas todo mundo bate palma e nem liga,
A final se preocupar para que, existe cheque cidadão,
Bolsa família, auxilio moradia e muita “diversão”,
Temos uma TV que glorifica os ignorantes,
Que emburrece cada cidadão,
E nos domestica a aceitar nossa situação,
E com isso percebo que os pensadores morreram,
E eu nem se quer pude ir ao enterro.

Gabriel Nogueira

A escrita do destino




A pintura de uma cena.
O retrato de uma alma,
O texto da vida,
O roteiro para a morte,
Tudo retratado e arquivado,
No estúdio e mausoléu,
De um artista semimorto,
Um ser sensível que esta na tênue linha dos dois mundos,
Um shaman depressivo que conta sua vida e experimentações,
Seus desejos, suas confissões,
Gravado em quadros e papéis,
Nas paredes, no teto, no corpo, e na alma,
Tudo aqui caso alguém queira ver, (menos você)
E mesmo que essas obras sejam destruídas agora que estou prestes a morrer,
Eu tenho a convicção que elas sempre se manterão em você que pôde as ver,
E você um dia vai lembrar o quão humano é esse seu amigo que acaba de se deixar apagar,
Ou acordar, de um pesadelo onde meus sentimentos tinha que acorrentar.

Gabriel Nogueira

domingo, 1 de julho de 2012

Um amor milenar



Tentando se controlar,
você começa a me beijar,
mas sem minha boca tocar,
começa a me abraçar, a me agarrar,
e eu por respeito a sua indecisão permaneço no lugar,
abraçado a você,
deitado em minha cama.
E mesmo que estivéssemos devidamente vestidos,
e em outro lugar,
apenas juntos,
mesmo sem poder falar,
eu acho que ainda sim sentiríamos essa sensação de nos amar.
Mas não um amor carnal,
não um amor animal.
É como um sexo de anjos,
dois seres em algo espiritual,
experimentando um prazer transcendental.
Em uma posição em que não da para definir quem é que está ali,
só se percebe ao olhar míseros espaços a nos separar,
duas pessoas dormindo,
nus, e a se abraçar,
com um leve sorriso em seus rostos,
que esta ali só para mostrar a pureza de duas pessoas que estão amando,
a unidade formada por seres se completando,
que é interrompida por berros e repressões,
vindos de um bando de bufões,
que só sabem ver pecado em todo lugar.
Delirantes.
Achando que um crime acabou de ocorrer,
gritam dizendo que eu violei você,
mas não percebem que eles é que estão cometendo uma violação,
são ingênuos e merecem o meu perdão,
eles não entendem que o que acabaram de ver,
foi apenas o amor entre eu e você.
Esse amor que não é algo impuro, ou animal,
é amor de mãe, que ama o filho antes de o ver,
é amor de pai, que sempre quer proteger,
é amor de irmão, que está sempre com você,
é amor de amigo, que vai sempre escutar,
é amor de anjo, que ama sem pecar,
é um amor celestial, que não faz outra coisa sem ser amar.


Gabriel Nogueira

O Aviso



Tiraram você de mim,
não posso acreditar,
que sem motivo começaram a arrancar,
arrancar as flores e árvores que rodeavam a fonte que eu apenas comecei a tomar,
não acredito que tiraram você de mim,
que te tiraram assim,
sem me avisar, sem me preparar,
vocês arrancaram a árvore que eu estava a observar,
admirado com tudo que ela pode passar,
com tudo que ela poderia me ensinar,
e quando vocês a arrancaram, deixaram uma ferida,
tanto em mim que só queria estar lá,
para olhar, aprender, admirar,
mas também deixaram uma em você,
agora que essa árvore saiu,
tudo o que ela sustentava caiu,
toda a merda que estava escondida,
agora dá para ver,
e sem exagero, ela é de me fazer estremecer,
mas o que mais me impressiona é que vocês não foram tolos para chegar e apenas uma arrancar,
vocês foram burros de todo um grupo delas tirar de vez,
você quis acabar com tudo de uma vez,
mas agora é bom se preparar,
porque não sou só eu,
todos que estavam lá,
e presenciaram esse ato pavoroso,
nós vamos falar,
tomar posse da nossa palavra e nos enraizar,
nos firmar nesse solo,
mas não para novas árvores colocar,
e sim trazer de volta as que vocês acabaram de arrancar,
e que mesmo arrancadas ainda vão falar,
e é bom se preparar porque nós vamos colocá-las  no lugar,
e pretendemos que dessa vez seja em uma base mais sólida que empeça que isso volte a acontecer,
isso eu garanto a você.

Gabriel Nogueira

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Dionisíaca da salvação


Um corpo purificado,
invadido pela arte profana do teatro,
estasiado, se revela ativo mesmo estando parado,
este corpo que foi oferecido como sacrifício a arte do pecado,
encontra-se com seu dono e possuidor,
que nele abitava, mas que por pudor não o reclamava,
não o assumia, apenas via seus impulsos e tentava controlá-los,
mas agora que o controle foi assumido,
e esse corpo entendido,
as coisas ficaram mais fáceis,
um pouco mais palpáveis,
como o meu domínio eu já o conheço,
o outro para mim não é nada avesso,
agora é mais fácil de tocar, sentir, cheirar,
e ao final da dionisíaca acabar como duas máscaras,
não opostas, mas complementares, a se beijar.

Gabriel Nogueira


Crianças a brincar


O vento vai,
o vento vem,
e junto dele vão,
e também voltam as lembranças de nossos encontros,
aquele tempo que passamos juntos conversando,
resolvendo nossos problemas,
jogando papo fora,
contando nossas histórias,
a final temos bastante tempo,
temos todo tempo do mundo,
nessa sala lotada,
onde só nossa voz é escutada,
e no momento que nossa conversa é parada,
para uma nova com os outros ser iniciada,
percebo que sua história poderá ser bem aproveitada,
e no momento da junção será a maior diversão,
como crianças a brincar com super poderes que só elas podem ter,
mas tem um que todas vão querer,
que é o de o tempo parar,
e uma grita daqui, outra acolá,
mas com quem será que esse poder vai ficar?
se quer saber, esse poder pertence a todo ser.

Gabriel Nogueira

domingo, 13 de maio de 2012

Como areia a despencar



Desistir? Não, não devo parar,
mas ainda tem um ciclo da minha vida que eu tenho que fechar,
se o que acabei de começar não vingar, não durar,
onde eu poderei me apoiar,
já não tenho mais 17 anos para poder esperar,
e não é mais dever dos meus pais me sustentar.
Tenho que trabalhar,
tenho contas para pagar,
não tenho dinheiro para gastar.
Tenho que acordar,
mas todos ao meu redor falam que eu ainda tenho que perseverar,
que ainda não posso desistir,
pois daqui, dá para ver meu sonho aí,
da até para segurar,
mesmo que como areia ele esteja a esfarelar,
mas eu vou segurar e não soltar até que tenha visto o último grão cair,
e mesmo assim vou tentar juntar,
não pretendo desistir até ver que tentei de todas as formas e não consegui.

Gabriel Nogueira

Doce chuva


Chuva violenta,
que vem no meio da noite para lavar meus sentimentos,
para apagar meus rastros,
me escondendo na escuridão,
protegendo minha paixão,
que só agora lembrei que está aqui,
e não pode te sentir,
acompanhada de sua metade que está a rir, ou a chorar,
na verdade eu não sei descrever,
porque toda vez que a olho,
ela está coberta por você,
que está me fazendo o favor de a esconder,
tudo para a proteger.
Mesmo que teu toque molhado a fizesse estremecer,
mas por algum motivo eu não parei para te agradecer,
me escondi de você,
mas você persistente me mostrou que pararia somente quando eu fosse pagar,
então saí a teu encontro,
mas você me surpreendeu,
sua raiva gelada me encolheu,
mas mesmo assim eu tinha que continuar,
tinha uma dívida a quitar,
e aguentar a fúria por ter fugido de você,
mas agora que cheguei em meu lar,
você está a se acalmar,
e eu a pensar que graças a você consegui deixar minha paixão no devido lugar.

Gabriel Nogueira


domingo, 6 de maio de 2012

A última reflexão



Em uma noite escura,
caminho sozinho,
mudo meu caminho,
hoje eu vou deixar a escuridão me guiar para o meu verdadeiro lar,
no meio do percurso sou surpreendido,
figuras noturnas me cercam,
dilaceram meu corpo e alma,
a deixam esfolada, cortada, rasgada,
abandonada no rio,
imersa nas suas tristezas, preocupações, frustrações,
banhado no rio de suas lágrimas,
derramadas durante sua vida de arrependimentos por atos não feitos,
palavras não ditas, por amizades perdidas.
Mas hoje isto acabou,
a final meu corpo caiu, minha alma sumiu,
e eu estou aqui apenas a observar,
toda minha vida a passar,
enquanto estou neste lugar sem ninguém para me comunicar,
vendo meus pecados de longe,
vendo minha morte de um ponto distante,
sinto algo inconstante, um medo, um pavor,
mas agora tudo melhorou.
uma aura aconchegante me abraça.
e eu percebo que esta noite a morte não é minha aliada.

Gabriel Nogueira

Minha criança



Oi criança,
não sei como,
mas você me cativou
com um sorriso que nunca acaba,
com uma alma iluminada,
com as respostas das minhas perguntas já preparada,
era eu fazer e você responder,
meio que por instinto, meio que sem saber.
 
Sem entender o por que com tanta facilidade você me tocou,
o por que não consigo te esquecer,
o por que com um presente tão simples você me fez saber que jamais iria te esquecer,
você poderia ter me dado um pião para me mostrar que o mundo não para de girar,
ou até um relógio vagabundo,
só para eu me tocar que meu tempo eu sou capaz de controlar,
mas não, ao invés disso me deu uma carta,
com as suas mais sinceras palavras.

Só isso já me bastou, só isso já me tocou,
e me provou que eu sei quem é você,
e que eu jamais vou, ou posso te esquecer,
mas já chegou a hora de nos despedir,
mas eu ainda quero você aqui,
e até para isso você achou solução,
seu corpo foi, mas você me deixou teu coração, seu espírito, sua emoção,
que sempre vai estar ao meu lado, a me ajudar,
assim como a minha criança que eu jamais posso deixar.

Gabriel Nogueira

sábado, 14 de abril de 2012

A dor do amor



Não existe amor sem dor,
não se sofre sem amor,
ficar sem ele é um horror,
todos tem pavor,
a final ele é essencial,
ninguém vive sem o tal,
todos querem saber quem é o qual,
todos precisam desse mal.

Gabriel Nogueira

Meu luar




Atrás das nuvens,
escondendo tua beleza,
ocultando tua tristeza,
camuflando seu brilho,
me deixando louco a tua procura,
para poder te admirar,
para poder me encontrar, me guiar,
para que minha inspiração possa voltar,
para conseguir te roubar, te decifrar,
e em meus versos te citar,
teu encanto conseguir verbalizar,
e para isso devo mais uma vez te olhar,
tua beleza,
oh, meu doce luar.

Gabriel Nogueira

terça-feira, 13 de março de 2012

A depressão da alma



Uma pessoa com tudo,
porém que parece não ter nada,
numa solidão,
num isolamento lotado de pessoas,
pessoas que estão sempre ali,
mas suas presenças não dá para sentir,
elas não conseguem o atingir,
não conseguem chegar,
não o suficiente para o abalar,
para provocar uma sensação,
que consiga tirá-lo dessa solidão,
que o deixa sem base, sem chão,
trancado em seu porão,
na masmorra de sua mente,
na máquina de tortura do seu subconsciente,
com sua alma flagelada, torturada,
ensanguentada pelas feridas não cicatrizadas,
acorrentada por memórias passadas,
incapacitada por uma cabeça lotada,
e também desesperada,
por uma coisa que a tempos sumiu,
e jamais ressurgiu.

Gabriel Nogueira

Conversas


As coisas mudam,
as pessoas mudam,
as palavras mudam,
eu mudo, eu mudei,
me calei,
aprendi a somente escutar,
me guardar,
minha opinião silenciar,
tem coisas que não são necessárias falar,
a não ser que esteja disposto a se irritar,
a final tem conversas que é melhor nem começar,
tem algumas que seria melhor apagar, deletar,
conversas que ficam a me atormentar,
aquelas coisas que eu disse, que o sentido parece me escapar,
ou então conversas que eu lamentei não começar,
aquelas conversas que poderiam ter saído só do olhar,
aquelas conversas que poderiam te encantar.

Gabriel Nogueira

Difícil caminhada


Pedras no meu caminho,
dificuldades e improbabilidades invadem meu espaço,
obstáculos me são impostos,
e nada que recompense meus esforços.
Nada para me animar,
apenas para me atrapalhar,
coisas que darão motivos para falar,
para que os outros possam me julgar,
e falar que seguir essa profissão não dá.
O que fazer eu não sei,
qual solução arranjar,
que jeito eu poderei dar,
para poder continuar a caminhar,
neste caminho tão difícil que resolvi trilhar.

Gabriel Nogueira

domingo, 4 de março de 2012

Falso poeta



Um poeta que nunca amou,
isso é uma desgraça,
até mesmo uma ameaça,
uma ameaça para ele que adora inventar...
amores. Pessoas por quem ele possa se apaixonar,
mas sem o risco de as conquistar,
só para nunca parar de amar, de sofrer,
de escrever roteiros de paixões mirabolantes,
que o fazem enlouquecer.
Tudo para experimentar
a dor que é amar,
o prazer que é gostar,
a loucura por não ter
quem você gosta com você.
Mas como sofrer sem sentir dor?
como odiar sem ter rancor?
como amar sem ter amor?
como escrever e expressar
uma coisa que nunca conseguiu provar?
então é melhor exagerar, inventar,
para quem sabe um dia, verdadeiramente amar.

Gabriel Nogueira

Dama da noite


Seus olhos negros,
refletindo a luz do luar,
torno-me incapaz de me controlar,
essa sua pele macia querendo tocar,
beijos querendo lhe roubar.

Oh minha dama,
não sabe como é difícil
estar ao seu lado e me segurar,
resistir ao encanto dos teus olhos negros a me hipnotizar,
tua voz de sereia a me encantar.
Não sabe como é difícil estar ao seu lado,
e ao mesmo tempo me afastar,
me controlar para não deixar escapar,
nenhuma palavra que vá me denunciar,
e dizer o quão apaixonado eu posso estar.

Gabriel Nogueira

Boêmio acorrentado


Após tanto tempo volto a sonhar,
sentir, amar, me expressar,
voltar a escrever,
pensando em você,
imaginando como é ter,
meu amor, que é você,
ao meu lado a me acompanhar,
nos devaneios de alguém que está a amar,
nas súplicas de um poeta apaixonado,
nas loucuras do amor,
na tristeza e na dor
de uma pessoa que se fechou,
e não consegue mais se abrir,
um poeta incapaz de sentir,
ou de apenas exteriorizar,
o sentimento que nele está a transbordar,
um boêmio incapaz de sorrir,
acorrentado em si
sem liberdade,
apenas com a humildade para escrever,
seus mais nobres sentimentos por você.

Gabriel Nogueira

Versos de um viajante


Sentado viajando,
olhando pela janela,
parece que estou sonhando.
Será que é com ela?
Um sonho calmo e monótono,
que me da tempo de pensar,
na vida, na morte,
como vou me comportar,
se devo pensar ou cogitar,
a simples hipótese de parar de tentar,
do jogo acabar,
pois esta brincadeira,
já está a me cansar.

Gabriel Nogueira

Bipolar

Uma hora sou o que sou,
outra hora não sei quem sou,
as vezes as pessoas me compreendem,
em outras elas me temem.

Incompreendido? Talvez
Incontrolável? Eu sei
Incabível? Improvável
Incontrolável? Aceitável

Mas cansei de falar de mim,
e agora quero saber,
qual a loucura que pertence a você?

Gabriel Nogueira

sábado, 3 de março de 2012

Imagens do além


Ilusões tomam meus olhos,
os fecho, e quando abro,
que surpresa,
sua imagem me aparece,
estática a minha frente,
tão bela,
tão resplandecente,
com um sorriso acendente,
que ilumina meus pensamentos,
um sorriso gentil, meigo,
e agradável,
que te torna inimaginável.
Como um anjo a brilhar,
quando do meu sono acordar

Gabriel Nogueira

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Mulheres solitárias


Abando nadas em um canto
solitárias em um banco,
pensando em seus problemas,
lamentando suas tristezas,
esperando alguém,
procurando alguém,
e cade esse alguém que não vem,
essa pessoa que as magoou,
que as fez chorar,
que as fez sair de casa,
para num banco de praça, se isolar
chorar, a espera de um amigo para poder conversar.

                                                                            Gabriel Nogueira

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Paz, tristeza e nostalgia




Qual é a diferença,
em ambos você fica quieto,
calmo, distraído, sossegado,
com uma expressão bem leve no rosto,
e um olhar distante,
foca jogado em um canto,
pensando no que te deixou neste estado,
pensando no que fazer para sair dele,
pensando e pensando, apenas pensando,
até que chega alguém para te chamar,
te tirar desse transe lunar,
alguém para te perturbar,
um amigo a se preocupar, 
e quem sabe a pessoa para poder desabafar,
a pessoa que naquele momento você deve precisar,
para te consolar,
resgatar,
ou apenas tua paz compartilhar


                                           Gabriel Nogueira

Saudades



Lembranças que se foram
momentos que jamais voltam,
dias de alegria que ficaram para traz.
Tudo em minha mente volta,
com a volta ao local,
a retomada do sentimento,
tudo volta com a trilha sonora de minha morte.
Tudo... menos esses momentos que eu tanto anseio,
esses momentos de minha infância,
esses meus momentos de fraternidade,
esses momentos de felicidade.


                                                  Gabriel Nogueira

Não quero te abandonar




Por que será que em meus pensamentos
eu me vejo te abandonando,
depois arrependido
me vejo voltando.


Por que será que te vejo quase morto,
agonizando.
Em meus braços estás chorando,
e eu lamentando,
a perca de um amigo que eu não pude ajudar,
sempre que eu tentava te gritar,
mudo parecia estar,
tentava falar, te alertar,
mas palavras pareciam me faltar.
E agora estou com medo, sei lá,
que tudo isso torne a se concretizar


                                                         Gabriel Nogueira

Ator



Já fui homem
já fui mulher,
já fui gay
já fui hétero,
já apareci como travesti,
já apareci travestido,
já fui transexual
já fui imortal,
já fui um Deus
já fui humano, 
já fui religioso
e já fui profano,
sou impressionante
sou apaixonante, 
sou conhecedor
sou experimentador,
eu tenho glamour
posso ser um doutor,
posso ser um amor, 
afinal eu sou um ator.


                                            Gabriel Nogueira

Mais um morte




Tudo recomeça,
mais uma pessoa que eu conheço,
mais uma pessoa com quem aprendi,
que me ajudou a melhorar,
morre,
se vai sem motivo,
mais uma perda inexplicável,
e mais uma vez a tristeza me consome,
os olhos pesam,
e mais uma as lágrimas não descem,
para lavar minha alma que sofre,
e para guiar a dele que se vai,
mais uma vez escondo meu luto,
por traz de um sorriso,
e novamente eu peço,
Deus guie essa alma,
a leve para um lugar melhor,
onde espero que ela descanse em paz,
sem sofrer mais.




                                Gabriel Nogueira

A alma do artista



Na solidão do palco,
na penumbra das luzes,
e nas infinitas possibilidades,
um local onde o nada,
se torna tudo,
e o tudo,
pode virar um nada.


Um local tão simples,
mas também tão mágico,
um local onde se pode ser qualquer um,
onde se pode estar em qualquer lugar,
é o lugar onde se possível,
quero sempre estar.




                                         Gabriel Nogueira